Mesmo contando atualmente com um eleitorado superior a
50 mil pessoas, Biguaçu enfrenta um longo jejum de representatividade na
Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Desde a eleição de Lauro
Locks, na década de 1960, o município não voltou a ter um deputado estadual.
Lauro Locks, embora tenha construído sua trajetória política em Biguaçu e posteriormente administrado o município como prefeito, não era natural da cidade. Ainda assim, foi o último parlamentar estadual nomeado pelo governo com forte base política no município, tornando-se uma referência histórica da representação biguaçuense no Legislativo catarinense.
Nas eleições de 2026, os ex-prefeitos Salmir, Tuta, e a ex-vereadora Salete Cardoso, surgem como pré-candidatos e buscam interromper esse período de mais de meio
século sem um representante do município na Assembleia Legislativa.
O desafio, entretanto, vai além da popularidade dos
candidatos. Analistas políticos apontam que a fragmentação das lideranças
locais e o apoio de grupos políticos a candidatos de outras cidades acabam
direcionando uma parcela significativa dos votos para fora de Biguaçu,
reduzindo as chances de êxito de candidaturas genuinamente vinculadas ao
município.
A melhor votação registrada por uma candidatura local
nas últimas décadas foi a da ex-vereadora Salete Cardoso. Mesmo obtendo cerca de 17% dos votos válidos em Biguaçu, mas o desempenho ainda não foi suficiente para alcançar uma das 40 cadeiras da Assembleia Legislativa de Santa
Catarina.
Com um eleitorado cada vez maior e crescente
importância econômica e regional, a discussão sobre a necessidade de uma
representação própria no Parlamento Estadual volta ao centro do debate
político. A eleição de 2026 poderá indicar se Biguaçu conseguirá, enfim,
encerrar um dos maiores períodos de ausência de representação estadual entre os
principais municípios da Grande Florianópolis.


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